2016 foi o cinquentenário de fundação da Transportes Grecco (hoje GTI-Log e antes Grecco Logística) - uma empresa que começou tímida e aos poucos foi galgando importantes degraus até chegar a um patamar de destaque nos segmentos de transporte e logística do país. Mas, para falar de sua trajetória de sucesso é preciso voltar ao ano de 1943, quando Klinder Grecco, ainda um garoto de 11 anos de idade
, chegou na cidade de Mauá, vindo de São João da Boa Vista, interior de São Paulo, juntamente com seus pais, Armando e Rosa, e mais nove irmãos. Foram anos difíceis e o mundo todo sofria as consequências da 2ª Grande Guerra Mundial, que destruiu sonhos e vidas. Aqui no Brasil, faltavam alguns alimentos básicos, como farinha de trigo e açúcar, além de combustível. No entanto, era preciso seguir adiante e como seu pai e dois irmãos mais velhos já trabalhavam em sua terra natal como canteiros, nome dado às pessoas que cortam pedras, rapidamente a família Grecco começou a explorar uma pequena pedreira, localizada a 8 km de Mauá. Armando um caminhão, modelo Chevrolet, destinado ao transporte dos canteiros que trabalhavam na pedreira, de paralelepípedos e outros tipos de pedras. Com 15 anos de idade, Klinder passa a trabalhar como ajudante no caminhão com seu irmão Waldemar, que já era motorista. Passados sete anos, a família perde o pai e Klinder, com apenas 22 anos de idade, passa a assumir as responsabilidades da casa onde residiam sua mãe e mais três irmãos menores, além da pedreira que já dava sinais de desgaste. Os anos foram passando e o jovem rapaz logo adquire mais um caminhão, desta vez um Dodge, e começa a fazer carretos de tudo o que aparecia pela frente. A situação econômica não era favorável, mas com a chegada da Cia. Paulista de Ferro e Ligas, em Mauá, novas oportunidades de trabalho começaram a surgir. No início de 1960, já com quatro caminhões, passa a prestar serviços para a nova empresa. Dois anos mais tarde, compra seu primeiro caminhão novo, um Ford F600 e com uma frota de seis veículos, era hora de planejar a construção de um galpão para guarda-los. E assim acontece, ao adquirir dois terrenos, onde hoje é o Paço Municipal de Mauá. Em 1966, convidado para prestar serviços na companhia Vidrobrás (depois Santa Marina, hoje Grupo Saint-Gobain), Klinder e sua esposa Diva Del Nero Grecco fundam a Transportes Grecco Ltda., mais precisamente no dia 26 de outubro e, a partir daí inicia-se uma parceria de confiança e respeito que já dura 50 anos. A Transportes Grecco começa a crescer no mesmo ritmo do desenvolvimento econômico da região do Grande ABC, haja vista, que a Vidrobrás era fornecedora de vidros para a indústria automobilística. E para acompanhar a demanda dos serviços, novos caminhões foram sendo agregados à frota e, cada vez mais, a empresa adquiria know-how no transporte de vidros. Até um novo galpão foi necessário para acomodar os caminhões e transportadora constrói sua sede em terreno, que na época pertencia à vidraria. Klinder recorda que junto com o crescimento de sua empresa também vieram vários desafios, como transportar em tempo recorde centenas de metros quadrados de vidros temperados fumê para a cobertura da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como Catedral de Brasília, cuja inauguração não poderia sofrer atraso em função da data de inauguração estar muito próxima. Para esse trabalho foram disponibilizados vários caminhões da frota durante 24 horas por dia com dois motoristas em cada veículo. Outro importante desafio foi transportar em tempo também recorde 2 mil toneladas de sucatas de vidro da fábrica de São Vicente, no litoral paulista, para a Companhia Brasileira de Cristal (Cebrace) onde seria iniciada a fusão dos fornos destinada à produção de vidro plano, na cidade de Jacareí, interior de São Paulo. Após 25 anos de prestação de serviços de transportes especializados em vidros, a Transportes Grecco sagrou-se a pioneira no transporte de vidros no Brasil conquistando a confiança, respeito e preferência de todos os seus clientes e, em 1991, Klinder decidiu transferir de comando a Transportes Grecco a fim de se dedicar a outras atividades. Anos dourados
A partir de então, a empresa é adquirida pelo sobrinho de Klinder, José Carlos Grecco, e pelos seus sócios Paulo Roberto de Souza, Luiz Alberto Tonelotti e Edson Damo, quatro promissores empresários na época, e que continuaram a escrever a história de sucesso do fundador, que construiu uma empresa tendo como matéria-prima muita determinação, persistência e vontade incontrolável de vencer obstáculos. Com o firme propósito de fazer a transportadora crescer ainda mais no mercado, os empresários iniciam um forte trabalho de prospecção de novos clientes a fim de diversificar os segmentos atendidos, mas nunca se esquecendo de sua expertise na área de vidros. Como prova dessa preocupação em aperfeiçoar o transporte desse material, um dos sócios, Paulo Roberto de Souza, lembra-se com orgulho da aquisição de sua primeira carreta com sistema de carga In Loader – primeira também do Brasil. A compra desse veículo, que permite o transporte mais seguro do vidro plano, ocorreu no início dos anos de 1990, durante visita a uma feira especializada em transportes na cidade de Dusseldorf, na Alemanha. A eficiência desse modelo é tão grande que hoje a Grecco possui 30 carretas e figura entre as três maiores transportadoras de vidros do Brasil. Juntamente com o crescimento da Grecco, Mauá também se desenvolvia a passos largos ao ponto de ficar cada vez mais difícil a movimentação de carretas no centro da cidade. Tal situação levou a Grecco mudar sua sede, em 2003, para novo espaço de 200 mil metros quadrados na Avenida João Ramalho, 1504 – Parque São Vicente – Mauá, com fácil acesso para o Rodoanel Mário Covas. Quase que simultaneamente, a Grecco passa também a operar no transporte de polietileno e constrói um depósito para armazenamento do produto a fim de atender à demanda da antiga Polibrasil, hoje Braskem. Novos investimentos são feitos em aquisição de carretas e trucks tipo Sider para agilizar as operações de carga e descarga. Com o transporte de vidro – sujeito a ocorrência mais frequente de avarias, e polietileno – muito visado para roubo de cargas, a Grecco faz também elevados investimentos em modernas tecnologias, equipando toda a sua frota com sistemas de rastreamento de cargas.