21/01/2013
Aéreas vão discutir redução de preço do combustível
Seg, 21 de Janeiro de 2013 10:51
Em meio ao debate acerca do aumento da inflação no Brasil, as empresas de aviação terão uma luta este ano: a busca por redução do preço do combustível, que hoje representa cerca de 40% dos gastos das aéreas. "Ainda é impossível traçar uma previsão de queda, já que não temos acesso aos métodos de precificação da Petrobras, mas é uma reivindicação nossa junto ao governo", diz o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.
Sanovicz revela que na última quarta-feira, 18/01, a Abear esteve em reunião com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e com a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República para discutir o tema. E diz que, até o carnaval, um encontro dos órgãos com o Ministério da Fazenda deverá começar a definir o tema.
Independente da redução de preço do combustível, no entanto, Sanovicz prevê um 2013 melhor que 2012. "O desempenho do setor está vinculado ao desempenho da economia, então devemos ficar estáveis no primeiro semestre para crescer no segundo", diz o presidente da Abear, que estima um crescimento de até 9,5% neste ano, caso o Produto Interno Bruto (PIB) atenda às expectativas do Banco Central e cresça pelo menos 3%.
Sobre o desempenho do mercado, a entidade pondera que o dezembro de 2012 foi de grande movimento para a aviação no Brasil, mas não salvou o setor de um ano de prejuízos. Segundo a Abear, o déficit é atribuído a entraves como o aumento do preço do combustível, a alta do dólar, taxas e tarifas de navegação aérea, e o ritmo desacelerado da economia global.
"O ano passado foi bastante duro para o setor. Diversas vezes alertamos sobre os seguidos aumentos de custos de operação e para os altos preços dos combustíveis", admite Sanovicz. "Mas também foi um ano de resultados interessantes quanto à inserção do setor no plano Brasil Maior que já trouxe um grande avanço com a desoneração da folha de pagamento. Além disso, o governo federal determinou a redução de tarifas de navegação aérea", diz Sanovicz, que prevê uma economia de R$ 320 milhões em 2013, com a medida.
Durante todo o ano passado, as associadas da Abear transportaram 74 milhões de passageiros, sendo 6,38 milhões em dezembro. Por conta das expectativas de aumento da demanda no fim do ano, as empresas aumentaram a oferta de assentos. Com alta de 15,95% na Gol e 6,64% na TAM, na comparação com novembro. Já a Gol manteve a oferta inalterada.
A demanda, como era esperado, também cresceu, apresentando aumento de 13,11% para a Azul e 4% para a Gol. Assim, a oferta da indústria de transporte aéreo foi 5,1% superior e a demanda, 7,1% maior em dezembro, na comparação com o mês anterior, segundo a Abear.
Para o diretor-técnico da associação, Adalberto Febeliano, a demanda maior que a oferta obrigou algumas alterações nos planos das empresas no fim do ano. "Isso implicou em um maior aproveitamento dos voos com rotas mais longas, para atender a todos os passageiros", explica.
Ao todo, a oferta acumulada em 2012 foi 3,12% superior à observada em 2011, número visto com receio. "Foi um ano em que a demanda cresceu em ritmos bem mais lentos de janeiro a dezembro", alerta Febeliano.
Empresas
A Azul foi a associada da Abear que mais cresceu em 2012. "Era natural que isso acontecesse depois da fusão com a Trip, que acabou aumentando a participação da Azul em 50% no mercado da aviação. Então essa foi, sem dúvida, a empresa que mais cresceu este ano, seguida da Avianca, que também expandiu a participação", afirma Febeliano. "Além disso, a Avianca está passando por um processo de troca de aeronaves, adquirindo Airbus, o que certamente vai provocar alta da oferta. A Azul e a Trip têm uma tendência de aumento de ofertas também", complementa.
Em novembro do ano passado, a Azul manteve a estabilidade no mercado, enquanto a TAM, por exemplo, teve queda de 3,14%. A Trip também apresentou retração na oferta, com queda de 6%. "A Azul e a Trip operam hoje cerca de 840 voos diários, oferecem mais do que o dobro de destinos do que qualquer outra companhia aérea do país. Hoje são 100 destinos. Além disso, ampliamos a frota no fim do ano passado para 121 aeronaves e cerca de 15% de market-share", comemora o diretor de Comércio e Marca da Azul, Gianfranco Beting.
A empresa está otimista sobre o próximo ano, quando espera concluir o processo de fusão com a Trip. "Estamos aguardando autorização da Anac e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica [Cade] para concluirmos a fusão com a Trip, mas já colocamos em prática nosso acordo de code-share, que permite aos clientes de ambas companhias voarem para 100 destinos em todo o País, além de várias outras facilidades. A companhia planeja incremento de novas rotas e destinos para o ano que vem."
Fonte: DCI / www.portalntc.org.br